Crianças levadas, o que fazer?
Crianças muito levadas podem ser encontradas
em todos os lugares, independentemente de cor ou classe social.
Muitos
pais encontram dificuldades na criação de seus filhos. Essas dificuldades geram um clima de insegurança por se acharem incapazes
de lidar com o comportamento “elétrico” de seus filhos.
O que muitos não sabem é que detrás
desta eletricidade pode haver algo importante que precisa de atenção.
As chamadas crianças “elétricas”,
são aquelas que não param um instante sequer,
são extremamente agitadas, modificam a rotina de sua família e colocam seus pais muitas vezes em situações embaraçosas.
São crianças que necessitam de vigilância
24 horas por dia, e principalmente quando estão na casa de amigos, parentes ou lugares públicos: igreja, clubes... Tais crianças
também apresentam dificuldade de concentração e tanto em casa como na escola, levando-as a um aprendizado deficiente
Muitos pais desconhecem, mas estes
“sintomas” podem ser o sinal de que algo não vai bem com seu filho. Tais crianças podem ser vítimas de um distúrbio
que acomete cerca de 5% da população infantil, e na sua maioria meninos. Se não acompanhada, a criança portadora deste distúrbio poderá ser um adulto com dificuldades como instabilidade de humor, dificuldade de
se relacionar, abuso de substancias químicas e depressão.
Chama-se TDAH : Distúrbio de Déficit
de Atenção e Hiperatividade ou apenas TDA: Distúrbio de Déficit de Atenção.
O TDAH / TDA é caracterizado por problemas relacionados
a diversos fatores como: hiperatividade (excesso de atividade motora); impulsividade e falta de atenção. Este sintomas podem
ser observados no dia-a-dia da criança e devem receber atenção especial se os
mesmos vêem se repetindo por um longo período.
Nem toda criança agitada possui TDAH,
mas os pais devem ficar atentos e procurarem ajuda profissional.
A grande barreira enfrentada hoje no
meio educacional é a de levar os pais a se conscientizarem de que algo não vai bem e que precisam procurar ajuda profissional.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um distúrbio de base genética, caracterizada por um metabolismo
deficiente dos neurotransmissores (Barkley), que precisa receber um tratamento adequado. Muitos estudos estão sendo feitos
para desvendar alguns mitos existentes em volta deste transtorno, inclusive sobre suas causas. Apesar dos fatores genéticos
serem um grande determinante, não se pode arrolar fatores isolados para a causa do TDAH, inclusive valores ambientais.
Em tempos mais remotos cria-se que o
transtorno era um distúrbio apenas psicossocial, ou seja, apenas os fatores sociais
e psicológicos levavam ao quadro da hiperatividade. As pesquisas atuais revelam um grande avanço para o diagnostico, mas ainda
há muito por descobrir.
O cérebro humano consiste em um complexo
sistema de ligações e impulsos que controlam o corpo. Há um parte especifica do cérebro que controla o comportamento e o autocontrole,
chamada de lobo frontal. O portador de TDAH / TDA tem dificuldade em controlar sua impulsividade e hiperatividade, justamente
por ter sua atividade cerebral no lobo frontal comprometida.
Russel Barkley, um das maiores autoridades
em TDAH disse : “ a atividade cerebral que comanda a inibição do comportamento, a auto-organização, o autocontrole e
a habilidade de inferir o futuro está prejudicada por um metabolismo deficiente dos neurotransmissores, levando à incapacidade
de administrar eficazmente os aspectos críticos do dia-a-dia. (1995).
Apesar da seriedade do diagnostico, a
possibilidade de ter um filho com TDAH não deve desesperar os pais. É um tratamento simples com medicação ou não, e que varia
de acordo com o quadro da criança.
De acordo com o DSM-IV (Manual Diagnostico
e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana) , o diagnostico é feito pela confirmação de numerosos
sintomas associados que devem ser identificados por um especialista.
Portanto, pais e professores devem estar
atentos a qualquer sintoma, e se necessário, buscar ajuda profissional.
Michele Ceccato